No final de maio, estava sair de casa para levar o Afonso à escola, quando ele diz:
" - Mãe, olha o passarinho!"
Ignorei, mas ele voltou a comentar. Saí do carro e fui ver. Um pequenino passarinho estava na entrada da garagem todo encolhido. Peguei-lhe vi que já estava frio. Levei para dentro de casa e entreguei ao meu marido, que o embrulhou logo em algo que o pudesse aquecer. Fui levar o Afonso à escola.
Quando regressei a casa vimos que era um melro. não o podíamos deixar onde estava no chão. Ali a minha cadela podia apanhá-lo ou até um gato. Fui procurar comida para melros e começámos a tratar dele.
Dei-lhe o nome de Álvaro Cunhal, devido às penas que tinha na cabeça. O Afonso deu-lhe o nome de Rabo, devido à cauda que tinha.
Ao princípio dormia quase o dia todo, numa caixa junto ao meu computador. Depois começou a voar e ficava na cozinha o dia todo. À noite era preso numa gaiola para que a cadela não o apanhasse.
Ele cresceu. Ele voava. Ele já se alimentava sozinho.
Não era justo o manter preso, hoje foi o dia em que abri a janela da cozinha e o Álvaro Cunhal seguiu a sua vida.
No dia que o apanhei liguei para uma divisão da GNR de proteção animal. Disseram que não o vinham buscar, pois a hipótese de sobrevivência era de 1%. Eu cuidei dele e cresceu...
Agora meu pequenino, voa e sê livre, como deverias ter sido sempre. 💖 (claro que o meu coração está pequenino, mas ao mesmo tempo feliz.)




Que maravilha.
ResponderEliminarVer um pássaro dentro de uma gaiola, é das coisas que mais me custa. Apetece-me sempre ir abrir-lhes as portas à socapa, mas neste caso, eu também ficaria com o coração bem pequenino na hora de o deixar partir. Quem sabe ele volta para uma visita.
Ele já comia sozinho, voava bem, por isso, tinha que seguir a sua vida. Custa, se custa, mas não somos mais importantes que os outros. Teve que seguir o seu percurso.
EliminarObrigada pelo comentário