
Ontem, tive reunião de final de período na escola do Afonso. Enquanto caminhávamos para o carro ele falava que a escola não servia para nada. Claro que eu contrapunha, e ele, rapidamente questionava o que eu dei na escola que me era útil para o dia a dia. Eu argumentei que poderia não ser útil, mas além de ser cultura geral, era também um veículo para eu aprender a pensar, ao que ele argumentou:
" - A escola, ajudar-nos a pensar!!! Na escola só querem que copiemos e que depois digamos tudo o que aprendemos de forma igual. Quem é criativo não é valorizado e quem pensa também não!"
Na realidade quase acho que tem razão. A escola pouco evoluiu. É o B A BA do que está nos manuais. Pouco espaço há para criatividade. Programas extensos, que pouco são aprofundados. O que fica???
O Afonso tocou num ponto sensível. Às vezes, a escola parece um mapa antigo para uma cidade que já mudou de arquitetura. É curioso como a "cultura geral" se tornou, para os mais novos, um ruído de fundo, enquanto a capacidade de criar — essa sim, a verdadeira ferramenta de sobrevivência — fica muitas vezes retida na secretaria. Talvez o que fique, no fim de tudo, seja menos o conteúdo dos manuais e mais a capacidade de questionar, exatamente como ele fez agora. Um belo exercício de pensamento, ironicamente, provocado pela própria crítica ao sistema.
ResponderEliminarÉ o grande paradoxo: queremos que eles aprendam a pensar, mas assustamo-nos quando o pensamento deles sai fora da margem. O Afonso tem razão; a escola muitas vezes ensina-nos a ler o mundo, mas raramente nos deixa escrevê-lo à nossa maneira. O que fica? Fica a resistência de quem, como ele, ainda prefere a folha em branco ao formulário preenchido.
Uma boa reflexão. Realmente o Afonso tem alguma dificuldade na escola, mas quando lhe pedem para criar, ele ultrapassa tudo. O ensino neste momento está muito fechado. Como alterar? Se calhar colocar planos curriculares mais simples e que permitam aos professores criar com os alunos e deixar desenvolver. Pouco flexível no momento.
ResponderEliminarObrigada pela opinião