Há assuntos que os tornamos tabu, como se eles não existissem e escrevê-los torna-os reais. Mas na realidade sempre foram reais, nós é que não queremos aceitar.

O Afonso, um dia comentava que a família para ele eram os irmãos, os pais e pouco mais. Pouco mais conhecia da família.
Infelizmente é verdade. Os meus filhos, especialmente os mais novos, conhecem mal ou quase não conhecem, nem a família da materna, nem a paterna.
Do meu lado, tudo se dava bem. Havia sempre encontros emotivos e animados. Gostávamos de estar juntos e fazíamos por isso. Mas após a morte do meu pai, o elo de ligação, quem ficou, soube construir e alimentar o afastamento, as intrigas, as desavenças e tudo mudou. O narcisismo tapou o amor à família.
Fiquei triste quando ouvi aquilo dito pelo Afonso. Fiquei triste por conhecer o que sentia. Fiquei triste por terem uma família tão limitada. Gostaria que tudo fosse diferente, mas nada é perfeito e quando há estragos, raramente as relações se recuperam.
Eu sei que não há relações perfeitas. Mas no nosso caso não há nada.
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